domingo, 11 de outubro de 2015

só.



Não vou mais abanar nenhuma palavra dessa casa. Culposas, congelam o tempo e as coisas efêmeras. São bocados de algo que insistente se desfaz em um recomeço.  Perecível, fausto sepultado, despetalado e desarmônico.
Não faz sentido provar da loucura para vibrar entre os sãos. Serei indigente de mim mesma. Ou serei como Clarisse: inigualável modelo de todos os esplendores e que não deixa de suscitar suspiros a cada giro de estrelas.
Mas as estrelas, essas andam em bando. As poucas que se descobrem só decaem pelo espaço, viram restos de mar.
Me admira mais a lua, que feito um espelho, é egoísta, poucos compreendem suas horas enquanto ela jorra de prazer. Seu prazer é observar de longe os loucos, lobos, uivantes. Ela se satisfaz sozinha.   
E só ela se compreende, se faz clara. É claro que a loucura é o que há de mais lúcido. Cristalino pensamento. É por isso que se cobre tanto tudo. Roupas, panos, pelos. Extravasar, sair de si, tudo proibido. É arriscado não mais voltar.
O cheiro e a respiração são sobras, fragmentos de uma morta. Deteriorada por hospedar a mim mesma. Me resta meu nome e alguns músculos mais resistentes. O mais fraco arranquei e agora uso feito um pingente frente ao plexo. Ele cheira mal e às vezes pulsa como se tivesse sobrevivido. Só lembranças. Sou toda morte. Sou toda morte e recomeço.
A ordem de sucessão às vezes se perde e tudo se torna uma crença inválida sem comprovações. Posso ter primeiro morrido depois ficado só. Posso ter enlouquecido e depois morrido. Posso ter me despedaçado e depois ter sido egoísta. Pouco importa se agora é hora de colocar as coisas nos seus lugares. Não influi se uma no lugar da outra. É só meu. E em seus devidos lugares tudo se torna obsoleto.
O que a essa altura é uma melancólica obsessão, saudoso desejo de mim, me preenche. Generosa, deixo ir, me expando.

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